sexta-feira, 22 de outubro de 2010


AQUELES DOIS TIROS"



Até hoje ficamos pensando estarrecidos de espanto, como alguém pode chegar a tal ponto, de querer matar um Papa! Um homem que somente prega o bem e a paz, ajudando a humanidade em suas necessidades, reagindo contra a exploração, a tirania e a vaidade dos poderosos! Na verdade, um crime em si, já é uma atitude perversa e abominável! Matar um homem como o Papa João Paulo II é sem dúvida, uma loucura satânica, aliada a uma desumana covardia, que só encontra manifestação em mentes doentias, ambiciosas e dominadas pelo maligno.

João Paulo II estava em pé na parte de trás do jipe, que lentamente circulava pela Praça São Pedro, no Vaticano. O veiculo fez uma pausa e o Santo Padre se inclinou em direção a uma pequena menina loura que estava lhe estendendo as mãos. Chama-se Sara e tinha apenas dois anos de idade. Ela apertava entre os dedos da mão direita o fio de um balãozinho colorido inflado. O Papa a segurou nos braços, suspendeu-a, como se quisesse que todos a vissem, depois a beijou e, sorrindo, devolveu-a aos pais.

Eram 17h19min e o povo, nas proximidades, que presenciaram a cena, sorriam felizes participando da alegria daqueles pais. De súbito, um primeiro disparo. No mesmo momento, centenas de pombas voaram pelo espaço como se estivessem assustadas. E sem que houvesse tempo para um raciocínio, aconteceu o segundo tiro, e o Papa começou a cair de lado, encima do Cardeal Stanislaw, o seu Secretário Particular, que descreve o acontecimento: “Instintivamente olhei para o local de onde partiram os disparos. Havia um tumulto, um jovem de traços escuros se debatia, e só depois eu viria saber, que se tratava do agressor, um turco, Mehmer Ali Agca. Tentei sustentar o Papa, mas ele se abandonava suavemente. Perguntei: "Onde foi?" Respondeu: "No ventre". "Está doendo?" "Sim, dói". A primeira bala devastou o seu abdômen, perfurando o cólon, dilacerando em vários pontos o intestino delgado, e depois saiu, caindo no carro. A segunda bala, depois de passar de raspão pelo cotovelo direito e fraturar o dedo indicador da mão esquerda, feriu duas turistas americanas”.

“Alguém gritou para irmos até a ambulância. Mas a ambulância estava do outro lado da Praça. O jipe arrancou em plena velocidade e desceu rapidamente o pátio do Belvedere em direção ao Faz, os Serviços de Atendimento Urgente do Vaticano, onde, avisado nesse meio-tempo, já se encontrava o Dr. Renato Buzzonetti, médico pessoal do Papa”.

Saia muito sangue da ferida e, o médico decidiu leva-lo imediatamente para o Hospital Gemelli. A ambulância partiu a plena velocidade, porque a vida de João Paulo II se extinguia lentamente. Quando chegou ao Hospital, ele perdeu a consciência e desmaiou. Descreve o Secretário Particular: “Compreendi que sua vida corria um grande risco. Os próprios médicos que realizaram a operação me confessaram, mais tarde, que o operaram sem acreditarem na sobrevivência do Papa. Havia problemas com a pressão sanguínea e com os batimentos cardíacos. Entretanto, para mim, o pior momento foi quando o Dr. Buzzonetti se aproximou e me pediu para ministrar ao Santo Padre a Unção dos Enfermos. Fiz isso imediatamente, mas com o coração despedaçado, acreditando que não havia mais nada a fazer. Depois de cinco horas de operação, alguém se aproximou de mim, não me lembro do rosto, e me disse que a operação tinha terminado que tudo tinha corrido bem e, que por isso, aumentavam as esperanças de vida”.

“Os primeiros três dias foram terríveis. O Santo Padre rezava continuamente. E sofria, sofria muito. E sabendo da morte de seu grande amigo Cardeal Wyszynski, Primaz da Polônia, ainda sofreu muito mais”.

Semanas após deixou o Gemelli e voltou ao Vaticano. Todavia, tendo ocorrido algumas complicações na sua recuperação, o Papa foi obrigado a ser internado novamente no Hospital, até que em 14 de Agosto, véspera da Festa da Assunção de NOSSA SENHORA aos Céus, ele pode voltar definitivamente para casa.

Todavia, antes do regresso ao lar, no período em que começou a apresentar uma melhora acentuada no Hospital Gemelli, Sua Santidade recordava as Aparições de NOSSA SENHORA em Fátima, quando nossa MÃE SANTÍSSIMA transmitiu Mensagens aos três pequeninos pastores em benefício de toda humanidade e disse um “Segredo”, que a Irmã Lúcia guardou e na época oportuna, escreveu e o enviou numa carta ao Papa, a qual estava guardada no Arquivo da Congregação para a Doutrina da Fé, no Vaticano. Agora, sentindo-se mais forte, João Paulo II começou a refletir sobre aquelas Aparições em Fátima e os últimos acontecimentos em sua vida, justamente por causa da singular coincidência: foi no 13 de Maio de 1917 a Primeira Aparição de NOSSA SENHORA e foi no 13 de Maio de 1981, o dia em que tentaram mata-lo na Praça do Vaticano. E vejam outra coincidência: o ano das Aparições de NOSSA SENHORA, quando ela revelou o Segredo a Irmã Lúcia foi em 1917 e o atentado ao Papa em 1981, ou seja, invertendo 81 dá 18, como se fosse 1918, ou seja, em continuação de 1917. Aquela semelhança de data o deixou curioso e então, ainda no Gemelli, decidiu e pediu para ver o texto escrito pela Irmã Lúcia, sobre o“Terceiro Segredo de Fátima”.

Descreveu o Secretário Particular do Papa: “No dia 18 de Julho de 1981, o então Prefeito da Congregação, Cardeal Franjo Seper, entregou ao Monsenhor Eduardo Martinez Somalo (substituto da Secretaria de Estado) dois envelopes, um com o texto original da Irmã Lúcia, em português e, o outro, com o texto traduzido em italiano. Monsenhor Martinez os levou ao Gemelli e entregou ao Papa. Depois de ler o Segredo, não teve mais dúvida: naquela visão da Irmã Lúcia reconheceu o seu próprio destino e se convenceu de que a sua vida foi salva, ou melhor, lhe fora novamente dada, graças à intervenção de NOSSA SENHORA, que o protegera. É verdade que a Irmã Lúcia escreveu dizendo que na visão o bispo vestido de branco foi morto; mas, João Paulo II escapou de uma morte quase certa. Isto significa dizer que os acontecimentos da história, da existência humana, "não são necessariamente preestabelecidos". E que, portanto, existe uma Providência Divina, uma poderosa mão materna capaz de interferir e também fazer errar o mais perito profissional, que apontou a sua arma com a certeza de matar”.

“Uma mão disparou, e outra guiou a bala”, dizia o Santo Padre.

Aquela bala foi guardada e levada pelo Santo Padre à Fátima. Foi incrustada na coroa de ouro de NOSSA SENHORA DE FÁTIMA que se encontra na redoma de vidro da Capelinha das Aparições.



“QUEM ARMOU AQUELA MÃO ASSASSINA?”



Ainda é um mistério, mas existem fortes indícios reveladores que apontam na direção dos culpados.

Em 27 de Dezembro de 1983, o Papa quis se encontrar com aquele homem, queria entender o seu procedimento e as suas razões, e também, queria conceder-lhe o perdão e uma bênção para invocar a sua conversão. E num cômodo simples da prisão de Rebibbia, sentado ao lado de Ali Agca, com a cabeça virada para ouvi-lo melhor, o Papa se surpreendeu ao ouvir aquela pergunta: “Por que o senhor não morreu? Sei que mirei certo. Sei que o projétil era devastador e mortal. Então por que o senhor não morreu”?

Revelou o Secretário Particular: “Não assisti a conversa diretamente, pois estava a alguns metros de distância. Mas, a minha interpretação, é que Ali Agca, um assassino profissional, estava angustiado porque existiam forças poderosas e invisíveis, que o haviam superado e não lhe permitiu cumprir a sua funesta missão. Ele estava atemorizado pela existência de tais forças. Descobriu também que não havia apenas uma Fátima, filha de Maomé, mas que também existia aquela que ele começou a chamar de A Deusa de Fátima. E temia como ele mesmo disse que, aquela Deusa tão poderosa se zangasse com ele e o eliminasse”.

E toda a conversa transcorreu naquele tema. O Papa triste e decepcionado em presenciar aquele tipo estranho de manifestação, ficou silencioso para ouvir tudo o que Ali Agca queria dizer. Aquilo ficou gravado em sua mente e muitas vezes, lembrou-se daquele encontro, com grande preocupação e tristeza, porque nunca ouviu aquele homem pronunciar as palavras: “Me perdoe” Então, aquele encontro foi suficiente para esclarecer as suas dúvidas e os acontecimentos da Praça São Pedro ficaram totalmente transparentes: Ali Agca era um assassino profissional, vivia daquilo e se orgulhava de fazer bem feito todos os serviços para os quais era contratado. Então ficou evidente que aquele atentado não foi uma iniciativa particular dele, mas de outra pessoa, que idealizou o crime e o contratou para executar o plano de morte.

Os Jornais noticiaram que o Papa recebeu informações preciosas sobre quem arquitetou o seu atentado… Sobre o assunto, o Cardeal Stanislaw, Secretário Particular disse: “Falou-se muito de informações fornecidas por serviços secretos internacionais. Bem, posso garantir que nunca chegaram ao Papa. Os Cardeais Casaroli (Secretário de Estado), Silvestrini (então Secretário do Conselho para Negócios Públicos) e Martinez Somalo (naquele tempo substituto) declararam nunca terem recebido e nem ouvido qualquer informação, a respeito do atentado. O Santo Padre chegou a aquela conclusão não porque tivesse recebido informações específicas, mas por dedução própria. Verdadeiramente ocorreu um complô para matá-lo. Alguém o considerava um homem perigoso e incômodo que precisava ser eliminado. Seguindo as várias pistas que se evidenciavam, todas, sem exceções, conduziam direta ou indiretamente a KGB russa”.

Trata-se de um fato indiscutível. A eleição pontifícia de Karol Wojtyla provocou uma enorme perturbação nos países da “Cortina de Ferro” e principalmente em Moscou. Porque aquele Papa estava contribuindo de modo decisivo para a queda do comunismo na sua Polônia, ao apoiar diretamente Lech Walesa e o Sindicato Solidariedade. Em consequência, Sua Santidade estava ajudando efetivamente a desmoronar o “Muro de Berlin” e toda a “Cortina de Ferro”, porque sempre foi um mensageiro da paz e um combatente dos Direitos do Homem, contra a violência e a intolerância, e por isso mesmo, era um fervoroso defensor dos mais pobres e dos oprimidos. Estas verdades incomodaram os Comunistas e porisso, planejaram assassinar o Papa João Paulo II.

O PONTIFICADO "



Desde o inicio do seu Pontificado, respeitou com humildade e tolerância todas ascrenças e religiões, assim como censurou os erros praticados no passado pelo catolicismo. Demonstrou humanidade e uma capacidade invulgar para julgar as fraquezas humanas, ao ter a coragem e a capacidade de pedir perdão pelos erros e pecados cometidos pela Igreja em outras épocas, abrindo os braços para um diálogo honesto e sincero, que propiciasse a união dos povos e a permanência da paz em todos os corações.

João Paulo II revestiu o seu mandato com uma característica toda pessoal, exercitava paternalmente e com muita firmeza a doutrina cristã e fazia prevalecer a tradição em todos os temas que agitam a sociedade, mantendo as diretrizes da moral conforme os ensinamentos da Lei de DEUS. Não acolheu a ordenação de mulheres; manteve o celibato para os sacerdotes; não legalizou o divórcio e as separações matrimoniais; condenou os “gays” e lésbicas, assim como todas as uniões ilegítimas; condenou o aborto e o considerou um crime bárbaro contra a humanidade e contra a Lei de DEUS.

O Papa sempre pregou a honesta e sincera reciprocidade entre os casais: um não deve fazer aquilo que irá magoar, entristecer ou ofender o outro. A fidelidade é a condição essencial e mais exigida, para que exista harmonia entre ambos e seja aberto o espaço para a felicidade conjugal.

Com a experiência vivida em seu país, sentiu que o medo e a insegurança pairavam no coração dos cristãos. A busca da verdade, as incertezas no trabalho, a dificuldade em caminhar sob as barreiras e as limitações do conhecimento e a ânsia pessoal em alcançar êxito, deixam a humanidade perplexa e sempre em constante busca de “algo”, de alguma coisa ou de “algum outro caminho”, que possa servir de âncora para as suas realizações, para os empreendimentos, a segurança pessoal no viver cotidiano, a fim de alcançar as vitórias, as conquistas, inclusive a salvação definitiva, arrancando a dúvida e a desconfiança que querem criar raízes no interior do coração. Ele conseguiu com um profundo discernimento vislumbrar esta necessidade humana, e desde o limiar do seu Ministério na Sé de Pedro repetiu as palavras de CRISTO, lançando a exortação Divina: “Não tenham medo”! Não tenham medo da verdade, não tenham medo de DEUS, aproximem-se corajosamente com suas orações, com as suplicas e, sobretudo, com um imenso, dedicado e perseverante amor. Confiem e sejam fiéis. Aquelas palavras tinham também o objetivo de infundir força e coragem, em especial às nações reduzidas à escravidão e às quais ele anunciava a liberdade.

“A humanidade é sempre a mesma. Os sistemas que ela cria são sempre imperfeitos, e tanto mais imperfeitos, quanto mais as pessoas estejam seguras de si. De onde se origina isto? Pergunta o Papa. Vem do nosso coração. O nosso coração está inquieto; o próprio CRISTO conhece esta nossa angústia, melhor do que cada um de nós”. “ELE sabe o que há em nós”. (Jo 2,25)

A nossa caminhada existencial é repleta de surpresas e imprevistos, por isso mesmo, João Paulo II recomendava: “Cultivai a oração com fé e disponibilidade”. A Oração sempre nos coloca diante de DEUS, e mesmo não sabendo pedir e suplicar o que necessitamos, como escreveu o Apóstolo São Paulo: “O ESPÍRITO vem em auxílio de nossa fraqueza, porque não sabemos pedir o que nos convêm. O próprio ESPÍRITO é que advoga por nós com gemidos inefáveis”. (Rm 8,26)

“A Oração é uma Obra ou Trabalho da glória”, disse o Papa. Além de pedir, o fiel deve saber agradecer, assim como, deve saber implorar para obter o perdão de todos os seus pecados. Da mesma forma, deve-se rezar pelas vocações, não apenas sacerdotais e religiosas, mas também “pelas muitas vocações à santidade entre o povo de DEUS, no seio do laicato”. O Evangelho é antes de tudo, a “alegria da Criação”. Por sua vez, a “alegria da Criação” é completada pela “alegria da Salvação” e pela “alegria da Redenção”. Na Vigília da Páscoa a Igreja canta com toda alegria: “Ó feliz culpa, que nos fez merecer tal e tão grande Redentor”. Assim sendo, concluindo o seu raciocínio, o Papa nos faz compreender que o motivo maior de nossa alegria é possuir a força, através da oração, para vencer o mal e acolher a filiação Divina que constitui a essência da Boa Nova. Muito embora, esclarece Sua Santidade, a alegria da vitória sobre o mal, não ofusca a “realística consciência da existência do mal no mundo e na humanidade”. Daí a necessidade do fiel ser autêntico e “não ter medo” de rezar, de pedir ajuda, de viver em comunhão de amor com DEUS, de acreditar na força do ESPÍRITO SANTO e de crer que o Papa é o continuador da Missão dos Apóstolos, por determinação e escolha de CRISTO, conforme a vontade do PAI ETERNO.

A primeira metade do seu pontificado ficou marcada pela luta contra o comunismo na Polônia e nos países da Europa do Leste e do mundo. Na segunda metade foi relevante a sua crítica ao mundo ocidental capitalista, dando voz ao Terceiro Mundo e aos pobres.

Com 26 anos e 5 meses de pontificado, é o terceiro mais longo da história da Igreja Católica. O mais longo foi o de São Pedro Apóstolo que dirigiu a Igreja aproximadamente por 37 anos; e quem está em segundo lugar, pela longevidade, é o Papa Pio IX que governou a Igreja durante 31 anos e sete meses. Alguns números que se destacam de modo impressionante são aqueles das viagens pastorais que João Paulo II realizou fora da Itália; foram cerca de 104 viagens, visitando 129 países e mais de 1.000 localidades, onde presidiu cerimônias de beatificação (147) e 51 canonizações, nas quais foram proclamados 1.338 beatos e 482 santos.

O Papa Wojtyla teve excelentes colaboradores e entre eles o Cardeal Joseph Ratzinger. Ele foi escolhido em 1981 para Prefeito da Congregação para a Doutrina da Fé, e permaneceu no cargo durante 23 anos até o falecimento do Papa. Era um velho amigo de João Paulo II e compartilhava com as mesmas posições ortodoxas do Papa, ou seja, era fiel a doutrina e a Verdade Cristã. Como Prefeito da Congregação para a Doutrina da Fé era um dos Cardeais mais influentes e defensor intransigente do catolicismo, e por isso mesmo, respeitado por toda a Cúria Romana.

João Paulo II promoveu e incentivou a aproximação com as outras grandes religiões monoteístas do mundo. Entretanto, também enfrentou acusações bizarras, como aquela de "proselitismo agressivo" feitas pelo mundo ortodoxo. A reconciliação com os judeus marcou a sua viagem à Terra Santa em Março de 2000, e também, representou uma mudança radical entre as duas religiões, criando condição para uma verdadeira coexistência pacífica e um intercâmbio profícuo e proveitoso.

Também estimulou o diálogo inter-religioso, o ecumenismo e o cultivo da paz, sendo o primeiro Sumo Pontífice a visitar o Muro das Lamentações em Jerusalém no dia 26 de Março de 2000, onde, num gesto admirável de perfeita humildade, pediu perdão pelos erros e crimes cometidos pelos filhos da Igreja no passado. Foi o primeiro Papa a pregar numa Sinagoga Judaica, a entrar numa Mesquita (em Damasco, na Síria), e a promover as jornadas ecumênicas de reflexão pela paz em Assis, na Itália, congregando todas as religiões numa Oração Mundial pela Paz. Foi o primeiro Papa a realizar uma visita à Grécia, desde a separação das Igrejas Católica e Ortodoxa no Cisma de 1.054.

João Paulo II, também determinou a devolução à Igreja Ortodoxa Russa do Ícone de “NOSSA SENHORA DE KAZAN”, a “Theotokos” e sempre VIRGEM MARIA. No dia 28 de Agosto de 2004, quando eles comemoraram a "Solenidade da gloriosíssima Dormição da Theotokos", a delegação representativa da Igreja Católica, chefiada pelo Cardeal Walter Kasper, Presidente do Pontifício Conselho para a Promoção da Unidade dos Cristãos, entregou o Ícone, depois de um solene ofício na Catedral da Dormição no Kremlin, em Moscou, cuja cerimônia contou com a participação numerosa dos fiéis.

Foram 14 as Encíclicas ou Cartas Encíclicas escritas por João Paulo II, que são documentos dirigidos a todos os Bispos e em consequência, a toda humanidade.

Pela ordem de emissão, temos:

1) “Redemptor hominis”(O Redentor do Homem) – Escrita entre 25/Fevereiro a 4/Março de 1979 – Explica a relação entre a Redenção alcançada por CRISTO para todas as gerações e a dignidade humana.

2) “Dives in Misericórdia” (Rico em Misericórdia) – Escrita em 2/Dezembro de 1979 – Ensina minuciosamente sobre a Bondade e a grandeza da Misericórdia de DEUS PAI, eterno CRIADOR.

3) “Laborem Exercens” (Exercendo o Trabalho) – Escrita em 14/Setembro de 1981 – Aprofunda o estudo sobre a necessidade do Trabalho, em seus diversos aspectos e ramos, para que seja realizado com dignidade.

4) “Slavorum Apostoli” (Os Apóstolos dos Eslavos) – Foi escrita em 2/Junho de 1985 - Sobre os Santos Cirilo e Metódio, padroeiros dos Povos Eslavos.

5) “Dominum et Vivificantem” (O Senhor que dá a Vida) – Escrita em 30/Maio de 1986 – Sobre o ESPÍRITO SANTO na Vida da Igreja e do Mundo.

6) “Redemptoris Mater” (A Mãe do Redentor) – Escrita em 25 de Março de 1987 – Sobre a Bem-Aventurada VIRGEM MARIA na Vida da Igreja que está a Caminho.

7) “Sollicitudo Rei Socialis”(Solicitude pelas coisas Sociais) – Escrita em 19/Fevereiro de 1988 - Sobre a reafirmação do papel da Igreja nas questões sociais.

8) “Redemptoris Missio” (A Missão do Redentor) – Escrita em 22/Janeiro de 1991 - Sobre o mandato missionário de CRISTO à Sua Igreja.

9) “Centesimus Annus” (O Centésimo Ano) – Escrita em 1/Maio de 1991 - Sobre a questão social: o Trabalho, o Capital e o Ensino. No 100º aniversário da encíclica “Rerum Novarum” (escrita pelo Papa Leão XIII em 1891, sobre a condição dos operários).

10) “Veritatis Splendor”(O Esplendor da Verdade) – Escrita em 5/Outubro de 1993 – Sobre os fundamentos da moral católica.

11) “Evangelium Vitae” (O Evangelho da Vida) – Escrita em 30/Março de 1995 - Sobre o valor e a inviolabilidade da vida humana.

12) “Ut Unum Sint” (Para que todos sejam Um) – Escrita em 30/Maio de 1995 – Sobre o empenho a fim de que haja o ecumenismo.

13) “Fides et Ratio” (A Fé e a Razão) – Escrita em 15/Outubro de 1998 - Sobre as relações entre a fé e a razão. Condena o ateísmo e a fé sem razão, e afirma a posição da filosofia e da razão na religião.

14) “Ecclesia de Eucharistia” (A Igreja da Eucaristia) – Escrita em 17/Abril de 2003 – Sobre a Eucaristia na sua relação com a Igreja.

Também escreveu diversas Exortações Apostólicas e um precioso Documento sobre a Mulher, a Carta Apostólica “Mulieris Dignitatem”, publicada em 15 de Agosto de 1988, sobre a dignidade e vocação da mulher, que se insere no contexto da promoção da mulher e na defesa da sua dignidade.

João Paulo II sempre foi um apaixonado pela MÃE DE DEUS. A VIRGEM MARIA sempre ocupou um espaço tão grande em seu coração, que no brasão papal colocou o lema “Totus Tuus” (Sou todo teu, Maria)

A oração do Rosário sempre foi uma das preferidas de Sua Santidade. A meditação dos Mistérios nos transporta para junto de DEUS e de nossa MÃE SANTÍSSIMA, revestindo o espírito das pessoas de uma profunda confiança e de muita tranquilidade, revigorando a disposição e estimulando a vontade, além de proporcionar uma agradável alegria interior. Por esse motivo, inspirado pelo ESPÍRITO SANTO, o Papa decidiu acrescentar mais “um Terço” na oração do Rosário, o Terço dos "Mistérios Luminosos" , contemplando outros Mistérios do Evangelho do SENHOR, que não tinham sido incluídos anteriormente. Assim sendo, o Rosário atualmente é composto de “quatro Terços”, Mistérios Gozosos, Mistérios Dolorosos, Mistérios Gloriosos e Mistérios Luminosos.

Outra manifestação importante do Papa João Paulo II se refere à chegada do ano 2000. Esta data sempre esteve presente no seu pensamento e na sua expectativa pessoal. E não simplesmente pela mudança do milênio, mas porque aquela data histórica coincidia com a celebração dos 2 mil anos do nascimento de JESUS e portanto, deveria constituir a ocasião propícia para uma profunda renovação espiritual e moral da comunidade católica. E este desejo existia em seu coração, desde quando era Arcebispo em Cracóvia. Através da Encíclica “Redemptor Hominis” , antecipou a sua decisão de anunciar um Grande Jubileu, que envolveria não apenas os cristãos, mas de alguma forma toda humanidade. Convocou os católicos para um exame de consciência de forma a realizar uma transformação radical de vida e também, que abrissem o coração para receber todos os irmãos, numa conotação fortemente ecumênica.

De fato, nas intenções do Santo Padre seria um momento providencial para acertar as contas com o passado, para purificar a memória de todos os erros, culpas e testemunhos negativos dos quais os cristãos foram responsáveis ao longo dos séculos. È suficiente, como exemplo, lembrarmos de tudo o que aconteceu nas Cruzadas.

Isso poderia, portanto, favorecer um diálogo aberto e honesto com as outras Igrejas cristãs e com as outras religiões. Todavia, o que era mais importante para o Papa, era que se “pedisse perdão sem querer nada em troca” . Ele dizia que a gratuidade do gesto era a condição indispensável para a sua credibilidade e para a sua eficácia.

O seu Secretario Particular relata: “Mas antes dele iniciar este caminho de assumir a mea-culpa quis saber o que O Evangelho dizia sobre o assunto. O que JESUS faria nesta circunstância? E vendo tudo pela ótica da fé, aceitando como sinal da Divina Providência, tomou aquela decisão com serenidade”.

No inicio, apesar de haverem muitas pessoas que não estavam de acordo, havia também aquelas que o apoiava. A verdade é que aos poucos as resistências e perplexidades foram desaparecendo e aquele procedimento corajoso e sincero, abriu as portas do diálogo ecumênico e inter-religioso com todas as nações.

E para culminar e coroar aquele gesto do Sumo Pontífice, em 12 de Março de 2000, na Basílica de São Pedro, no Vaticano, realizou-se o “Dia Jubilar do Perdão”. E ele também estava presente e presidiu a cerimônia. Pela primeira vez, a Igreja inteira implorou a misericórdia de DEUS pelos pecados e omissões que mancharam os cristãos. Com emoção e de modo vibrante, o povo e todas as autoridades se comprometeram com cinco solenes “nunca mais”, a nunca mais trair o Evangelho e o respeito à Verdade.


"DECLÍNIO DA SAÚDE"



A saúde de João Paulo II foi motivo de preocupação para milhões de católicos em todo o Mundo. O histórico clínico daquele que foi apelidado o "Atleta de Deus", devido á sua extraordinária compleição física, tem início aos anos 40, quando é atropelado em Cracóvia por um caminhão militar alemão, na época da IIª Grande Guerra Mundial, sofrendo fratura do crânio.

Três anos depois de ter sido eleito Papa, é vítima de um grave atentado na Praça de São Pedro, no Vaticano, no dia 13 de Maio de 1981, por parte do turco Ali Agca. Internado com urgência na Policlínica Agostini Gemelli, em Roma, foi submetido a delicada cirurgia de cinco horas e vinte minutos, com extirpação de 55 centímetros do intestino. A 20 de Junho, 17 dias depois de ter alta, é internado novamente na mesma clínica, para ser tratado de uma infecção de cytomegalovirus, resultante da operação anterior. A 12 de Julho de 1982, sofreu nova intervenção cirúrgica de quatro horas na Policlínica Gemelli, para a remoção de um tumor benigno no cólon (com as dimensões de uma laranja) e também da vesícula biliar.

Em 11 de Novembro de 1993, sofreu uma queda durante uma audiência no Vaticano, tendo fraturado uma omoplata (osso do ombro), vindo a ser operado na mesma Policlínica. Em 1994, sofreu nova queda, quando terminava um banho no seu aposento privado, tendo fraturado o fêmur direito. Na ocasião foi implantada uma prótese de titânio em substituição a cabeça do fêmur. Ainda nos anos 90, começaram a se manifestar os sintomas da Doença de Parkinson, que logo se acentuaram cada vez mais: com tremor da mão esquerda, a coluna curvada e o olhar ausente. A 8 de Outubro de 1996, ingressou mais uma vez na Clínica Gemelli, para a remoção do apêndice. Em Março de 2002, os médicos diagnosticaram uma artrose no joelho direito, o que o obrigou a deslocar-se numa cadeira de rodas especial, a qual passou a utilizar para presidir às celebrações e outros atos. Em Setembro de 2003, durante a visita à Eslováquia, já eram visíveis as dificuldades de João Paulo II para respirar e para mover-se. Em Setembro do mesmo ano, teve que cancelar uma audiência geral devido a oclusão intestinal. A 10 de Fevereiro de 2005, na sequência de um processo gripal, padeceu de laringo-traqueíte aguda, motivo que o conduziu novamente à Gemelli. A 24 de Fevereiro de 2005, é submetido a uma traqueotomia, com o fim de facilitar a sua respiração.



ÚLTIMOS DIAS E MORTE



Já com a Doença de Parkinson muito avançada, no dia 30 de Março de 2005, surgiu à janela do seu escritório para tranquilizar os católicos, mas já estava muito evidentemente o seu estado extremamente debilitado. No último Domingo da Páscoa, o Papa ainda abençoou os fiéis, mas pela primeira vez no seu pontificado não conseguiu pronunciar a tradicional bênção “Urbi et Orbi”. Ás 21h37min, hora de Roma, do dia 2 de Abril de 2005, o Mundo parou perante a notícia da morte do Santo Padre mais querido de todos. As exéquias fúnebres decorreram na Praça de São Pedro, pela manhã do dia 7 de Abril de 2005. A cerimônia fúnebre durou três horas e foi presidida pelo então decano dos cardeais, o Cardeal Joseph Ratzinger. Assistiram cerca de 2500 convidados, entre Chefes de Estado, Primeiros-Ministros e muitas outras personalidades. O corpo de João Paulo II foi sepultado nas Catacumbas do Vaticano.

segunda-feira, 18 de outubro de 2010

Omisterioo da Iniquidade



Pastor Paschoal Piragine fala do perigo de votar no PT

Pe. Paulo Ricardo convoca todos os cristãos e homens de boa vontade a lutar pela vida.

Pe. Paulo Ricardo convoca todos os cristãos e homens de boa vontade a lutar pela vida. Apoia e confirma as denúncias dos bispos da Regional Sul 1 contra o Partido dos Trabalhadores (PT) em sua tentativa de legalizar o aborto em nosso país.

terça-feira, 5 de outubro de 2010

A Misericórdia é o maior atributo de Deus” (D. 611)


Secretária da Misericórdia Divina

O século XX foi um dos períodos mais contraditórios da história humana. De um lado, grandes avanços nos mais variados campos do saber (biologia, física, tecnologia etc.); a Igreja Católica, por sua vez, viveria uma nova primavera em diversos âmbitos (bíblico, litúrgico, pastoral etc.). Por outro lado, deparamo-nos com o crescimento do agnosticismo e a proliferação das seitas; com enormes atrocidades, de proporções quase universais; milhões e milhões foram brutalmente dizimados em dezenas de guerras, bem como em carestias, pestes e catástrofes, em parte frutos da ganância e arrogância de alguns poucos.
Ao mesmo tempo, é o século de cristãos de grande envergadura, como os Papas S. Pio X, o Beato João XXIII e o Servo de Deus João Paulo II, S. Gemma Galgani e Madre Teresa de Calcutá, os santos Padres Pio e Maximiliano Kolbe, ou como os pastorinhos de Fátima. É o século outrossim de uma das maiores místicas da história do cristianismo, Santa Faustina Kowalska. Mística pois deixou-se invadir pelo mistério do amor divino, no dia a dia de uma vida escondida e laboriosa. A partir dela nasce uma nova espiritualidade, centrada na Divina Misericórdia. Eis em breves linhas um pouco da sua vida.

Origens

Faustina nasceu na aldeia de Glogowiec, distrito de Turek, prefeitura de Poznan (atualmente Swinice Warckie, principado de Konin), na Polônia, no dia 25/08/1905. Naquela época a Polônia estava sob o domínio russo. Ela é a terceira de dez filhos do casal Estanislau Kowalska e Mariana Babel, que cuidam de 5 hectares de terra (e 3 vacas!). As duas primeiras gravidezes foram muito cansativas; por isso, a terceira foi esperada com preocupação, mas tudo correu bem.
Dois dias depois do nascimento a menina foi batizada, na paróquia de Swinice Warckie (dedicada a S. Casimiro), com o nome de Helena Kowalska. Deus os abençoou com outros sete filhos. “A Helena, minha filha abençoada, santificou o meu ventre”, dirá a mãe após a sua morte. Sabemos bem pouco acerca das origens desta futura santa. As principais fontes são o seu Diário e o relato de algumas testemunhas.
Por exemplo, a sua casa, com paredes de pedra e poucos móveis, é composta por 2 divisões, separadas por um corredor. O pavimento é de terra e as paredes não são rebocadas nem caiadas. A mãe faz queijo com grande perfeição. Todas as noites rezam o terço e dão graças por tudo o que têm.
Seu pai, Estanislau, lavrador e carpinteiro, era muito piedoso. Freqüentava sempre as Missas dominicais e cantava todos os dias o ofício da Imaculada Conceição, bem como o hino matinal. Na Quaresma, cantava as lamentações da Paixão. Era muito exigente com os filhos, e por isso Helena desde os 9 anos ajuda nos serviços da casa – debulhando o trigo, levando as vacas para o pasto e ajudando na cozinha. A mãe era uma boa mulher, muito dedicada e trabalhadora, particularmente sensível com os pobres. Assim se vai moldando o caráter de Helena (Dr. H. W.,Irmã Faustina. Apóstola da Divina Misericórdia, Loyola, S. Paulo, 1983, p. 30).

Vocação

A vida espiritual de Helena começara cedo. Em seu Diário escreve: “Quando eu tinha sete anos ouvi pela primeira vez a voz de Deus na minha alma”. Depois da preparação recebida do Pároco, Pe. Romano Pawlowski, em 1914 faz a Primeira Comunhão, momento que muito lhe marcou: “Eu estou contente porque Jesus veio ter comigo e agora posso caminhar com Ele”. A oração se torna mais assídua e fervorosa. A mãe a encontrou várias vezes ajoelhada no chão, principalmente de noite. Helena lhe explicava: “tenho certeza de que é o meu Anjo que me acorda”.
Os pais não aceitam facilmente a vocação da filha Helena. Em 1920 e 1922 a jovem lhes pede permissão para entrar no convento, mas os pais o recusam. Não possuem recursos para lhe dar o dote necessário, estão mergulhados em dívidas – e, acima de tudo, estão muito ligados à filha. Neste período recebeu o sacramento da Crisma, em Aleksandrów (1921). De modo especial a adolescente escuta com atenção as homilias dominicais, repetindo-as durante a semana, e também a leitura da Bíblia feita pelo seu pai, que mantém em casa uma pequena biblioteca.
Com dificuldades Helena iniciou os seus estudos (1917). É obrigada a interrompê-los a fim de poder trabalhar como empregada doméstica. Aos 14 anos disse à mãe: “Papai trabalha muito e eu não tenho com que me vestir aos domingos; sou a mais mal-apresentada de todas as moças. Irei trabalhar para ganhar alguma coisa”. O desejo de se consagrar totalmente a Deus lhe acompanha, mas, ante as dificuldades, por um tempo Helena desiste da idéia. Entrega-se, então, à “vaidade da vida”, aos “passatempos”, como anos depois escreveria em seu Diário.
Deus, porém, não volta atrás. Estando um dia num baile com sua irmã, uma visão de Cristo Sofredor interpela a jovem Helena: “Até quando hei de ter paciência contigo e até quando tu Me desiludirás?” (Diário, 9). Decide entrar no convento. Bateu em várias portas até ser acolhida no dia 1º/08/1925 na clausura do convento da Congregação das Irmãs de Nossa Senhora da Misericórdia, em Varsóvia. Foi tentada a deixar essa comunidade várias vezes, mas Jesus lhe apareceu e exortou: “Chamei-te para este e não para outro lugar e preparei muitas graças para ti” (D. 19).

Revelações

Dentro da Congregação Helena recebeu o hábito e o nome de Irmã Maria Faustina, em 1926. Dois anos depois faria a primeira profissão dos votos religiosos. Em sua vida exterior nada deixava transparecer da sua profunda vida espiritual, que haveria de incluir as graças extraordinárias da contemplação infusa, o conhecimento da misericórdia divina, visões, aspirações, estigmas escondidos, o dom da profecia e discernimento, e o raro dom dos esponsais místicos (D. 1056). Com humildade exerceu as funções de cozinheira, jardineira e até de porteira. Cumpria fielmente as regras de sua comunidade, em espírito de recolhimento mas sem nenhum desequilíbrio, deixando ao mesmo tempo transparecer serenidade e benevolência. Um sonho a movia – viver plenamente o mandamento do amor:
“Ó meu Jesus, Vós sabeis que desde os meus mais tenros anos eu desejava tornar-me uma grande santa, isto é, desejava amar-Vos com um amor tão grande com que até então nenhuma alma Vos tinha amado” (D. 1372).

O Senhor a escolhe para uma missão especial. Depois de atravessar pela “noite escura” das provações físicas, morais e espirituais, a partir de 22/02/1931, em Plock,o próprio Senhor Jesus Cristo começa a se manifestar à Irmã Faustina de um modo particular, revelando de um modo extraordinário a centralidade do mistério da misericórdia divina para o mundo e a história– presente em todo o agir divino, particularmente na Cruz Redentora de Cristo – e novas formas de culto e apostolado em prol desta sua divina misericórdia. Descreve esta primeira visão:
“Da túnica entreaberta sobre o peito saíam dois grandes raios, um vermelho e outro pálido. (...) Logo depois, Jesus me disse: Pinta uma Imagem de acordo com o modelo que estás vendo, com a inscrição: Jesus, eu confio em Vós” (D. 47).

Jesus insistirá particularmente no seu desejo de instituir uma Festa em honra da Divina Misericórdia para toda a Igreja, o que haveria de se cumprir somente a partir do ano 2000. Todas estas vivências se encontram relatadas em seu famoso Diário, escrito entre 1934-1938 sob a orientação dos Padres Miguel Sopocko e Andrasz SJ, o primeiro deles beatificado a 28/09/2008.
Segundo um dos mais famosos estudiosos do mesmo, Pe. Ignacy Rózycki, no Diário – e numa das Cartas de Santa Faustina – encontramos, dentre outros, 83 revelações particulares especiais sobre o mistério e o culto da Divina Misericórdia. Ao longo do Diário descobrimos que Jesus a escolhe como secretária, apóstola, testemunha e dispensadora da divina misericórdia(nn. 965; 1142; 400; 570). Já pode ser considerado como um dos clássicos da espiritualidade católica, ao lado de História de uma alma, A prática do amor a Jesus Cristo, Filotéia e outros.

Páscoa

Assim como na vida de Santa Teresinha, Jesus pede também à Santa Faustina que se ofereça como vítima pelos pecadores. É a graça de poder viver aquilo que diz o Apóstolo: Completo em minha carne o que falta das tribulações de Cristo pelo seu Corpo, que é a Igreja(Cl 1,24; cf. Flp 1,20; 2Cor 12,10). Na Quinta-feira Santa de 1934, Jesus lhe revela o seu desejo que se entregue pela conversão dos pecadores. A este desejo Irmã Faustina respondeu prontamente com um ato de consagração no qual se oferece voluntariamente pelos pecadores. Desde essa ocasião, os sofrimentos que oprimiriam a religiosa polonesa foram a prova de que sua oferta fora aceita pelo Senhor.
Irmã Faustina levava uma vida muito austera, já antes de entrar no convento. Não perdia nenhuma oportunidade em oferecer suas penas pela conversão dos pecadores. Nos últimos anos de sua breve vida aumentaram os seus tormentos interiores e os padecimentos do organismo. Desenvolve-se uma tuberculose que lhe atacou os pulmões e os intestinos. Muito fraca, é levada ao convento Jósefów. Segundo um costume da comunidade, pede perdão às coirmãs pelas faltas cometidas – e afirma que morreria treze dias depois. Ao Pe. Sopocko diz (26/09): “Perdoe-me, padre, agora estou ocupada no colóquio com o Pai Celeste. Aquilo que tinha para dizer, já disse”.
No dia da sua morte ela recebe o viático do Pe. Andrasz. Pede mas logo recusa uma injeção, dizendo: “Deus exige sacrifício”. Plenamente unida a Deus, na presença da irmã Ligoria, erguendo os olhos para o céu, Irmã Faustina falece com fama de santidade às 22h45min do dia 5/10/1938, com apenas 33 anos de vida. O seu corpo foi depositado no cemitério do convento em Cracóvia-Lagiewniki.
A situação na Europa se agravava. Hitler havia invadido a Áustria (11/03/1938). A Polônia entra num período tempestuoso quando Berlim e Moscou dividiram o seu território (22/09/1939). Irmã Faustina rezava pela Polônia. Em setembro de 1938, a jardineira irmã Klemensa foi visitá-la no hospital. Faustina estava reduzida a pele e ossos. Klemensa lhe perguntou: “O senhor Jesus te disse se haverá guerra?”. – “Haverá guerra”, respondeu ela. E depois acrescentou: “...A guerra durará muito tempo, haverá muitas desgraças. Sofrimentos terríveis cairão sobre as pessoas” (in Bergadano, Elena, Faustina Kowalska. Mensageira da Divina Misericórdia, Paulinas, S. Paulo, 2006,p. 81).
Há inúmeros relatos de graças alcançadas por sua intercessão a partir da morte da Ir. Faustina. Um deles se refere a um fato ocorrido durante a II Guerra, assinado por Miquelina Niewiadomska em Varsóvia, ano de 1946:
“Como mensageira do exército clandestino da Polônia, levava um dia um maço de jornais e documentos importantes da imprensa subterrânea, num cesto vulgar, aberto, de modo a não chamar a atenção. Numa paragem, o tranvia [transporte] foi abordado pela polícia da Gestapo, que começou a inspecionar os passageiros. Antes que eu desse conta, estava a meu lado. Apanhada de improviso, sabia que não tinha maneira de escapar e deitei o cesto no chão. O que estava dentro caiu, com o livrinho intitulado ‘Jesus, eu confio em Vós’ por cima de tudo. Um dos policiais baixou-se para o apanhar e em voz baixa segredou-me: ‘E eu também confio n’Ele’, e, voltando-se, permitiu que eu apanhasse os papéis” (in Andrasz-Sopocko, A misericórdia de Deus. A única esperança da humanidade, 2ª ed., Tipografia Porto Médico L.da, Porto, 1956, pp. 88s).

O processo informativo para a canonização da Irmã Faustina se iniciou em 1965. O Cardeal Karol Wojtyla o encerra com uma sessão solene no dia 20/09/1967. Anos depois (1978) Karol Wojtyla se tornaria o Papa João Paulo II, e por suas mãos Irmã Faustina seria beatificada (1993) e canonizada (2000), tornado-se assim a primeira santa canonizada no III Milênio cristão. O milagre que permitiu a sua canonização foi a cura do Pe. Romualdo P. Pytel que sofria de “estenose aórtica predominante, calcificada e localizada na bicúspide, com insuficiência aórtica associada, e descompensação cardíaca esquerda” (in Laria, Raffaele, Santa Faustina e a Divina Misericórdia, Paulus, Apelação, 2004, p. 84). A data de sua celebração litúrgica é o dia 5 de outubro, que marca seu nascimento para o céu.

Caro devoto e apóstolo de Jesus Misericordioso:
Se você deseja conhecer mais sobre a vida desta grande cristã, adquira o Diário de Santa Faustinae a biografia escrita por Sophia Michalenko, intitulada: Misericórdia – Minha Missão, através do nosso Apostolado.

“A Misericórdia é o maior atributo de Deus” (D. 611)
Santa Faustina Kowalska: rogai por nós!

terça-feira, 14 de setembro de 2010

A cruz é o símbolo perfeito do problema da dor, o Crucifixo então é a sua solução.



A primeira questão a ser introduzida na história do mundo e a qual nos trouxe tanta dor e inimizade foi: "POR QUE?".

Satanás foi o primeiro a levantar essa questão... "Mas por que Deus proibiu-lhes de comer do fruto de todas as árvores do Jardim?" (cf. Gn 3,1). Desde aquele dia até hoje nossas pobres mentes já formularam muitos "por quês", mas nenhum tanto quanto esse: "Por que existe a dor no mundo? Por que as pessoas tem que sofrer tanto? Por que a alegria é tão pouca e o sofrimento tanto?"

Esse problema da dor tem um símbolo e o símbolo é a cruz. Mas por que seria a cruz o símbolo perfeito do sofrimento? Porque ela é feita de duas barras: uma horizontal e outra vertical. A barra horizontal é a barra da morte... é como a linha da morte nos eletro-encefalogramas: reta, prostrada. A barra vertical é a barra da vida: erecta, de pé, inclinada para o alto. O cruzamento de uma barra sobre a outra significa a contradição entre a vida e a morte, entre a alegria e o sofrimento, sorriso e lágrimas, prazer e dor, nossa vontade e a vontade de Deus.

O único modo de se fazer uma cruz é sobrepor a barra da alegria sobre a barra do sofrimento. Em outras palavras: nossa vontade é a barra horizontal, enquanto a vontade de Deus é a barra vertical, na medida em que nós sobrepomos nossos desejos e nossas vontades contra a vontade de Deus, formamos assim uma cruz. Desse modo, a cruz se torna o símbolo da dor e do sofrimento.

Todavia, se a cruz é o símbolo perfeito do problema da dor, o Crucifixo então é a sua solução. A diferença entre a cruz e o Crucifixo é Cristo. Uma vez que Nosso Senhor, que é por si só o Amor, sobe na cruz, Ele nos revela como o amor pode ser transformado pelo amor num alegre sacrifício, como aqueles que semeiam em lágrimas podem colher com alegria, como aqueles que choram podem ser confortados, como aqueles que sofrem com Ele podem também reinar com Ele e como aqueles que carregam suas cruzes por uma breve Sexta Feira da Paixão possuirão a felicidade por um eterno Domingo de Ressurreição. O Amor é o ponto de intersecção onde a barra horizontal da morte e a barra vertical da vida reconciliam-se na doutrina de que toda a vida vem através da morte.

É aqui que a solução de Nosso Senhor se diferencia de todas as outras soluções para o problema da dor... até mesmo daquelas pseudo-soluções que se mascaram sob o nome de "cristãs". O mundo tenta resolver o problema da dor de duas maneiras: ou negando-o ou tentanto torná-lo insolúvel. O problema da dor é negado por um peculiar processo de auto-hipnotismo que costuma inculcar nas pessoas a idéia de que a dor é imaginária. Tenta-se torná-lo insolúvel através de uma tentativa de fuga e por essa razão o homem moderno sente que é melhor pecar do que sofrer. Nosso Senhor, ao contrário, não nega a dor e nem tenta escapar dela. Ele a encara e ao agir assim Ele nos prova que o sofrimento não é alheio nem mesmo ao Deus que se fez homem.

Vemos assim que a dor desempenha um papel definitivo na vida. É sem dúvida um fato marcante que nossas sensibilidades são mais desenvolvidas para a dor do que para o prazer e nossa capacidade de sofrer excede nossa capacidade de alegrarmo-nos. O prazer cresce até chegar a um ponto de saciedade e nós sentimos que se passasse daquele ponto se tornaria uma verdadeira tortura. A dor, ao contrário, continua crescendo e crescendo mesmo quando já choramos "o bastante". Ela atinge um ponto em que nós sentimos que não poderíamos mais suportar e ela vai se descarregando até matar.

Eu penso que o motivo pelo qual nós possuímos mais capacidade para a dor do que para o prazer é porque talvez Deus pretendia que aqueles que levam uma vida moral correta deveriam beber até a última gota do cálice da amargura aqui nesse mundo porque no Céu não existe mais amargor. Por outro lado aqueles que são moralmente bons nunca gozam o máximo do prazer aqui embaixo porque sabem que uma felicidade muito maior os aguarda no Céu. Mas deixando de lado as conjecturas, seja lá qual for a razão, a verdade que permanece é que na cruz Nosso Senhor demonstra um tipo de Amor que não pode tomar outra forma quando é contraposto ao mal, senão a forma de dor.

Para vencer o mal com o bem, uma pessoa deve sofrer injustamente. A lição do Crucifixo então é que a dor nunca pode ser separada ou isolada do amor. O Crucifixo não significa dor; significa sacrifício. Em outras palavras, ele nos diz em primeiro lugar que dor é sacrifício sem amor e em segundo, que sacrifício é dor com amor.

Primeiro, dor é sacrifício sem amor. A Crucifixão não é a glorificação da dor pela dor. A atitude cristã da mortificação algumas vezes é mal interpretada como sendo uma idealização da dor... como se nos tornássemos mais agradáveis a Deus quando sofremos do que quando nos alegramos.

Não! A dor em si mesma não possui nenhuma influência santificante! O efeito natural da dor é nos individualizar, centralizar nossos pensamentos em nós mesmos e fazer de nossa enfermidade o pretexto pra tudo quanto é conforto e atenção. Todas as aflições do corpo, tais como penitências e mortificações em si mesmo não tendem tornar o homem melhor. Aliás, frequentemente tornam o homem pior. Quando a dor é divorciada do amor ela leva o homem a desejar que os outros estejam como ele está, ela o torna cruel, cheio de ódio, amargura. Quando a dor não é santificada, ela deixa cicatrizes, queima todas as mais finas sensibilidades da alma deixando-a brutalmente desfigurada. Dor como simples dor então não é um ideal: torna-se uma maldição quando é separada do amor, pois ao invés de tornar uma alma melhor a torna pior.

Agora contemplemos o outro lado da figura. A dor não é pra ser negada e nem pra fugirmos dela. É pra ser encarada com amor e vivida como sacrifício. Analise sua própria experiência e verá que muitas vezes seu coração e mente lhe dizem que o amor é capaz de superar de algum modo seus sentimentos naturais acerca da dor, que algumas coisas que poderiam parecer dolorosas tornam-se alegria quando você percebe que podem beneficiar o próximo.

Em outras palavras, o amor pode transformar a dor em sacrifício agradável, o que é sempre uma alegria. Se você perde por exemplo, uma certa quantidade de dinheiro, tal perda não poderia ser aliviada pela compreensão de que talvez aquele dinheiro foi encontrado por uma pobre alma que tinha mais necessidade do que você? Se sua cabeça está latejando de dor e seu corpo extenuado por uma noite de vigília ao lado da cama de seu filho doente, não seria essa dor aliviada pelo pensamento de que foi através desse amor e devoção que aquela criança conseguiu superar a enfermidade? Você jamais poderia ter sentido aquela alegria e nem ter tido a mínima idéia do tamanho do seu amor se você tivesse se negado a fazer aquele sacrifício. E se o seu amor não estivesse presente, então aquele sacrifício teria sido apenas dor, incômodo e aborrecimento.

A verdade gradualmente emerge quando percebemos que a nossa profunda felicidade consiste no sentimento de que o bem ou benefício do próximo foi conquistado através do nosso sacrifício. O motivo por que a dor é amarga é porque não temos ninguém para amar e por quem nós deveríamos sofrer. O amor é a única força do mundo que pode tornar a dor suportável e a faz mais do que suportável ao transformá-la na alegria do sacrifício.

Agora, se a escória da dor pode ser transformada no ouro do sacrifício pela alquimia do amor, então daí se segue que nosso amor se torna mais profundo, a sensação de dor diminui e cresce nossa alegria no sacrifício. Mas não podemos esquecer que não existe amor maior do que o amor Daquele que entregou Sua própria vida por Seus amigos. Portanto, quanto mais intensamente nós amarmos os Seus santos propósitos, quanto mais zelosos formos por Seu Reino, quanto mais devotados formos pela maior Glória de Nosso Senhor e Salvador, mais nos alegraremos em qualquer sacrifício que possa trazer uma só alma para seu Sacratíssimo Coração. Tal é o motivo pelo qual São Paulo se gloriava em suas enfermidades e alegrias e que os Apóstolos se alegravam quando podiam sofrer por Jesus por quem eles tanto amavam.

Não é de se admirar que os maiores santos sempre disseram que a melhor e maior das graças que Deus havia concedido-lhes era o mesmo privilégio concedido ao seu Divino Filho: ser usado e sacrifícado por uma causa mais elevada. Nada poderia dar-lhes maior satisfação do que renovar a vida de Cristo em suas próprias vidas, cobrir seus corpos com os mesmos sofrimentos sofridos por Cristo em Sua dolorosa Paixão. O mundo tenta eliminar a dor. O Crucifixo a transforma através do amor recordando-nos que a dor vem do pecado enquanto o sacrifício vem do amor e que não há nada mais nobre do que o sacrifício.

O Mundo não pode dispensar o Cristo em Sua Cruz. Eis o motivo porque o mundo é triste: por que se esqueceram de Cristo e da Sua Paixão. E quanto desperdício de dor há neste mundo! Quantas cabeças que padecem dos mais diversos tipos de dor sem jamais terem se unido à Cabeça coroada de espinhos pela Redenção do mundo; quantos pés latejam de dor sem jamais terem se aliviado pelo amor Daquele cujos pés subiram descalços a colina do Calvário; quantos corpos feridos existem que não conhecem o amor de Cristo por eles. Esses não conhecem o amor que pode aliviar suas dores. Quantos corações que sofrem e padecem porque não possuem aquele amor do Sacratíssimo Coração; quantas almas que só conseguem enxergar a cruz ao invés do Crucifixo! Almas que possuem dor sem sacrifício, almas que nunca aprendem que é pela falta de amor que a dor cresce, almas que perdem a alegria do sacrifício porque não sabem o que é amar. Oh! Quão doce é o sacrifício daqueles que sofrem porque amam o Amor que sacrificou-se por eles numa cruz. Apenas para essas almas é possível compreender os santos propósitos de Deus, apenas aqueles que caminham pela noite escura são capazes de contemplar as estrelas.

Publicado originalmente no site AgnusDei depois incorporado ao Veritatis Splendor. Tradução de Gercione Lima.

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