terça-feira, 3 de agosto de 2010

Enviar-lhes-ei mulheres ignorantes e fracas pela natureza, mas sábias e poderosas por minha graça,


Para humilhar os homens da época dessa Santa, Nosso Senhor disse:”Enviar-lhes-ei mulheres ignorantes e fracas pela natureza, mas sábias e poderosas por minha graça, a fim de confundir seu orgulho”. Uma dessas mulheres foi Santa Catarina de Siena, Cuja festa comemora-se a 29 de abril, a quem Ele dirigiu estas palavras.

No ano da graça de 1347, Lapa Benincasa deu à luz a duas gêmeas em seu vigésimo quarto parto. Uma delas não sobreviveu ao batismo. A outra, Catarina tornar-se-ia a glória de sua família, de sua pátria, da Igreja e do gênero humano.

Giacomo de Benincasa, seu pai, era um tintureiro bem estabelecido, homem simples, leal, temeroso de Deus e cuja a alma não estava cantaminada por nenhum vício; piedoso e trabalhador, criava sua enorme familia (teve 25 filho de um só casamento!) no amor e no temor de Deus.

Catarina, a penúltima da família e caçula das filhas, teve a predileção de todos e cresceu num ambiente moral puro e religioso.

Como a Providência divina tinha desígnios especiais sobre ela, desde cedo Catarina foi cumulada de favores celestes, privando com Anjos e Santos. Aos sete anos fez voto de virgindade; aos 16 cortou sua longa cabeleira para evitar um casamento, e aos 18 recebeu o hábito das Irmãs da Penitência de São Domingos, Vivia já aos 20 só de pão e água. Foi agraciada com favores sobrenaturais como o “casamento místico”, recebeu estigmas semelhantes aos de Nosso Senhor, e teve uma “morte mistica” durante a qual foi levada em espírito ao Inferno, ao Purgatório e ao Paraíso; teve também uma “troca mística de coração” com Nosso Senhor.

Analfabeta, aprendeu a ler e escrever milagrosamente para poder cumprir a missão pública que Deus lhe destinava. Dirigia um número enorme de discípulos, os caterinati, entre os quais se encontravam gente do clero, da nobreza e do povo mais miúdo. Um dele, o bem aventurado Raimundo de Cápua, seu confessor, foi também seu primeiro biógrafo. É dele que sabemos pormenores dessa impressionante vida.

Todos seus contemporâneos dão testemunho de seu extraordinário charme, que prevalecia ainda em meio da contínua perseguição à qual ela foi sujeita, mesmo da parte dos frades de sua própria Ordem e de suas irmãs em religião.

O Evangelista São João e o Doutor Angélico dão-lhe lições.

Catarina amava apaixonadamente a Igreja Católica e sofria vendo seus males. Suas obras externas consistiam até então em assistir os pobres e doentes e dirigir seus discípulos. Mas era chegada a hora de ela também, a exemplo do Divino Mestre, começar sua vida pública. Para isso, recebeu ordem formal de Nosso Senhor, que lhe prometeu sustentá-la com sua graça. Que ela nada temesse.

Ora, a Itália no fim da Idade Média – período em que a gloriosa civilização cristã já decaía a olhos vistos – era um aglomerado de pequenos reinos e repúblicas que muitas vezes viviam em guerra entre si, ou guerras entre facções contrárias em uma mesma cidade. Catarina foi várias vezes chamada a ser o árbitro entre elas ou seu anjo pacificador. Assim, viajou ela de Siena para Florença, Luca, Pisa e Roma como pacificadora.

Sem nenhuma experiência política, coloca-se em face dos mais altos poderes de seu tempo. E não roga; exige, manda:

“Desejo e quero que façais desta maneira”… “Minha alma deseja que sejais assim”… “É a vontade de Deus e meu desejo”… “Fazei a vontade de Deus e a minha”… “Quero”. Assim falava à rainha de Nápoles, ao rei da França, ao tirano de Milão, aos bispos e ao Pontífice. Em seu semblante há algo que intimida e seduz ao mesmo tempo.

Não é de admirar. Pois, como ela mesma escreveu em uma de suas cartas, “tomei lições, como em sonhos, com o glorioso evangelista São João e com Santo Tomás de Aquino”.

Florença revoltara-se contra a Santa Sé; e mais de 60 cidades dos Estados Pontifícios juntaram-se a ela. O Papa lançou um interdito sobre essas localidades. Revoltas se seguiram.

Catarina entra como mediadora entre o Papa e os conjurados. Começou assim uma correspondência incessante com o Papa Gregório XI, cheia de piedade e amor filial, cada vez mais premente, em favor dos súditos dos Estados Pontifícios que tinham rebelado contra ele: “Santíssimo e dulcíssimo Pai em Nosso Senhor Jesus Cristo…Ó governador nosso, eu vos digo que há muito tempo desejo ver-vos um homem viril e sem temor algum… Não olheis para a nossa miséria, ingratidão e ignorância, nem para a perseguição de vossos filhos rebeldes. Ai! que a vossa benignidade e paciência vençam a malícia e a soberba deles. Tende misericórdia de tantas almas e corpos que morrem”.

Santidade que se exprime no espírito de Cruzada

Ansiava ela pela pacificação da Cristandade para que, unidos os cristãos se dispusessem a seguir em uma cruzada para libertar os Santos Lugares.

Dois grandes pensamentos agitavam a alma de Catarina: a pacificação da igreja, sua mãe querida, pela qual ela se sentia devorada de zelo e amor; depois, esse pensamento tão fecundo na Idade Média: a guerra santa das Cruzadas. Ela via essa Cruzada, objeto de seus votos, recuar para bem longe pelas discórdias que separavam os povos cristãos. Foi talvez essa dor que consumiu sua vida.

Catarina implorou ao Papa Gregório XI que deixasse Avignon, reformasse o clero e a administração dos Estados Pontifícios, e empenhou-se ardentemente em seu grande desígnio de uma Cruzada, na esperança de unir as forças da Cristandade contra os infiéis e restaurar a paz na Itália, livrando-a de companhias armadas de mercenários que a assolavam.

Ao Rei da França censurou por guerrear contra cristãos e não empenhar-se na Cruzada: “Eu peço-vos que sejais mais ativo para impedir tanto mal, e para ativar tanto bem, como é a recuperação da Terra Santa e daquelas almas infelizes que não participam de Sangue do Filho de Deus. Desta coisa vos deveríeis envergonhar, vós e os outros senhores cristãos; porque é uma grande confusão diante dos homens e abominação diante de Deus fazer a guerra contra os irmãos e deixar os inimigos; e querer tirar o que é dos outros e não reconquistar o que é seu. Eu vos digo da parte de jesus Crucificado que não demoreis mais a fazer esta paz. Fazei a paz e fazei toda a guerra contra os infiéis”.

Fim do “exílio de Avignon”: fruto de seu zelo

Mais sucesso teve ela com relação ao fim do “exílio de Avignon”. Desde 1309, com Clemente V, o Papado havia sido transferido para aquela cidade francesa, de onde era dirigida toda a Cristandade. Já Santa Brígida, Rainha da Suécia, tentara em vão trazer o Papa de volta a Roma.

Em Avignon, diante dos Cardeais, a intrépida Catarina ousou proclamar os vícios da corte pontifícia e pedir em nome de Cristo Jesus, a reforma dos abusos. Gregório XI a chamava para dar sua opinião em pleno Consistório dos Cardeais. Ela o convenceu a voltar a Roma. Em 17 de janeiro de 1377, Gregório XI deixou Avignon apesar da oposição do Rei francês e de quase todo o Sacro Colégio. Ele ainda hesitava no caminho, e ela o conjura a ir até o fim.

Mas a paz na Igreja não seria longa. Outra vez a república de Florença revoltou-se contra o Papa, que apelou para Catarina. rejeitada por aquela cidade, a santa quase foi martirizada. Gregório XI, por sua vez, gasto, envelhecido, sofrido, não resiste e entrega sua alma a Deus.

Para ocupar o trono de São Pedro, os cardeais elegem o Arcebispo de Bari, o qual toma o nome de Urbano VI. Conhecendo já Catarina e vendo nela o espírito de Deus, o novo Pontífice a chama a Roma para estar a seu lado. E era muito necessário, pois alguns cardeais franceses, desgostosos da rigidez do novo Papa, voltam para Avignon, anulam a eleição de Urbano, e elegem o antipapa Clemente VII. Inicia-se assim o chamado “Grande Cisma do Ocidente”

Catarina entrou em ação procurando ganhar para o verdadeiro Papa, reis e governantes da Europa, por meio de cartas cheias de amor à Igreja e animadas do enérgico sentimento do dever. Tentou inutilmente trazer de volta ao verdadeiro redil os três cardeais, autores principais do cisma. A Cardeais, Bispos e Prelados, Catarina escreveu 150 cartas; e a Reis, príncipes e governantes, trinta e nove. Á voz de Catarina de Siena, em favor do verdadeiro Pontífice, juntou-se a de outra Catarina, da Suécia, filha da grande Santa Brígida.

Angústia pelo futuro da Igreja.

As angústias que lhe causava as revelações sobre o futuro da Igreja foram para Catarina de Siena como uma paixão dolorosa. Ela clamava ao Senhor e pedia graça para essa Igreja, Esposa de seu Divino Filho. “Tomai, ó meu Criador este corpo que eu recebi de vossas mãos. Não perdoeis nem a carne, nem o sangue; rompei-o, lançai-o nas brasas ardentes; quebrai meus ossos, contanto que vos praza de me ouvir em favor de nosso Vigário”.

E entre o que Deus lhe revela havia coisas sublimes e outras terríveis. Ela pediu as seus secretários que, assim que a vissem entrar em êxtase, anotassem suas palavras. Daí nasceu o livro o diálogo entre uma alma (a dela) e Deus, conhecido hoje em dia pelo nome de Diálogo.

Tirado do livro; Grandes Santos que iluminaram o mundo – Plinio Maria Solimeio

Categorias: Vida de Santa Catarina de Sena
Etiquetado: Santa Catarina de Sena
Cronologia da Vida de Santa Catarina de Sena
setembro 2, 2008 · Deixe um comentário

* 1347 Nasce em Sena, em 25 de março. Catarina, filha de Iacopo di Benincasa e Lapa de Piagenti.

* 1353 Primeira Visão de Cristo, revestido de ornamentos pontificais e cercado dos apóstolos Pedro, Paulo e João.

* 1354 Voto de virgindade perpétuda.

* 1354 (e anos seguintes) Duras penitências. Sua mãe, Lapa, e sua irmã, Bonaventura, querem convencê-la a casar-se. Tommaso della Fonte é seu conselheiro Espiritual.

* 1362 Morte de Bonaventura. Severamente punida pela mãe por ter cortado os cabelos e sem acesso a seu quarto, Catarina descobre “a cela do coração”. Nova recusa categórica de casamento. O pai toma-lhe a defesa. São Domingos aparece -lhe em sonho.

* 1363 Tendo entrado na Ordem Terceira Dominicana (as mantellate), não deixa a residência familiar. Seu quarto é a cela em que vive reclusa e da qual só sai para assistir aos ofícios religiosos na Igreja de São Domingos. Prece e Penitência.

* 1367 Casamento místico. Catarina abandona seu quarto, mas faz de sua alma sua “cela interior”. Obras de caridade e de apostolado. Primeiros discípulos: “la bella brigatta”, da qual é a mamma.

* 1368 Morte do pai. Catarina salva seus irmãos durante um motim que irrompe em Sena.

* 1370 Dita as primeiras cartas de conselhos espirituais. Graças extraordinárias. Morte Mística.

* 1371 Início da vida pública. Cartas a Gregório XI, a príncipes da Igreja, chefes de repúblicas italianas.

* 1372 Abandona gradualmente toda alimentação; comunhões freqüentes.

* 1373 Data provável de uma carta a Barnabé Visconti, senhor de Milão, inimigo encarniçado da Igreja.

* 1374 Gregório XI envia-lhe Alfonso de Valdaterra (que havia sido diretor espiritual de Brígida da Suécia) para solicitar suas preces pela Igreja. Catarina vai a Florença, onde tem novos discipulos. Raimundo de Cápua torna-se seu diretor espiritual. De volta a Sena, dedica-se aos doentes de pestes. Visita ao convento dominicano de Montepulciano.

* 1375 Em Pisa (1º de abril), na Igeja de Santa Cristina, Catarina recebe os estigmas da Paixão de Cristo (que ficam invisíveis).

* 1376 Cartas do papa Gregório XI. Visão de Cristo (1º de abril). Chegada a Avignon (maio). Gregório XI parte para Roma (setembro). Catarina retorna a Sena (dezembro).

* 1377 Funda em Belcaro o mosteiro Nossa Senhora dos Anjos. Missão de paz de Catarina no Vale d´Orcia (no castelo de Rocca de Tenteanno). Carta escrita de próprio punho dirigida a Raimundo de Cápua falando de um estado de graça excepcional.

* 1378 Gregório XII a envia a Florença para obter a paz (assinada em 28 de julho). Durante meses, Catarina dita o Diálogo. Chamada pelo novo papa (Urbano VI), chega a Roma (28 de novembro). Missão de Raimundo de Cápua junto ao rei da França.

* 1379 Roma. Catarina dedica suas forças a empreender uma campanha em favor de urbano VI e da unidade da Igreja.

* 1380 Fim de janeiro: esgotada pela luta empreendida, Catarina cai gravemente doente. Êxtase da “barca mística” da Igreja repousando sobre seus ombros. Confissão pública e morte em 29 de abril. Seu corpo foi levado a Santa Maria de Minerva, onde repousa.

* 1461 Canonização por PIO II (29 de junho)

* 1866 Declarada segunda padroeira de Roma Pio IX

* 1939 Nomeada por Pio XII padroeira secundária da Itália (com são Francisco de Assis).

* 1970 Proclamada doutora da igreja simultaneamente com Teresa de Ávila, por Paulo VI (4 de outubro)

Festa em 29 de Abril

Catarina de Sena – uma biografia – Bernard Sesé

Conselho aos pais



elato de Santa Teresa de Ávila quando esta chegou a idade da razão.

Se eu tivesse de aconselhar, diria aos pais para se acautelarem com as pessoas que têm contato com seus filhos nessa idade. É grande o perigo, já que a nossa natureza tende mais para o mal do que para o bem.

Foi o que aconteceu comigo. Eu tinha uma irmã mais velha do que eu, (María de Cepeda) e não aprendi nada com a sua grande honestidade e bondade, mas assimilei todo o mal de uma parenta que freqüentava muito a nossa casa. Sua grande leviandade levaram minha mãe a se esforçar muito para afastá-la de casa; ela parecia adivinhar o prejuízo que, me sobreviria, e eram tantas as oportunidades de visitas que minha mãe nada pôde fazer. Passei a gostar dessa parenta. Com ela tinha conversas e entretenimentos, porque ela me ajudava em todas as diversões do meu agrado e até me atraía para elas, tornando-me ainda confidente de suas conversas e vaidades. Até o momento em que com ela convivi, por volta dos meus catorze anos, ou um pouco mais, não creio ter me afastado de Deus por algum pecado nem perdido o temor d´Ele, embora fosse mais forte o sentimento da honra. Este foi forte o bastante para que eu não a perdesse de todo; e tenho a impressão de que nada neste mundo poderia me fazer mudar nesse aspecto, nem o amor de nenhuma pessoa era capaz de me fazer fraquejar quanto a isso. Teria sido muito melhor se eu tivesse usado essa força para não ofender a honra de Deus, em vez de empregar tanto esforço em não fracassar no que considerava a honra do mundo! E, no entanto eu a perdia de tantas outras maneiras!

Eu exagerava nesse inútil apego à honra. Não empregava os meios necessários para conservá-la, preocupando-me apenas em não me perder por inteiro.

Meu pai e minha irmão tinham muito desgosto com essa amizade, repreendendo-me freqüentemente por mantê-la. Como não podiam evitar que a parenta fosse à nossa casa, foram inúteis os seus esforços, pois era grande minha esperteza para o mal. Às vezes, o prejuízo que vem das más companhias me causa espanto e, se não tivesse passado por isso, não poderia acreditar; especialmente na época da mocidade, deve ser maior o mal que isso traz. Eu gostaria que os pais, com o meu exemplo, se acautelassem e observassem bem isso. A verdade é que essa amizade me transformou a tal ponto que quase nada restou da minha inclinação natural para a virtude; e me parece que ela e outra moça, que gostava do mesmo tipo de passatempo, imprimiam em mim seus hábitos.

Isso me faz entender o enorme proveito que vem da boa companhia e estou certa de que, se naquela idade tivesse tido contato com pessoas virtuosas, a minha virtude teria se mantido intacta; porque, se tivesse tido, nessa idade, pessoas que me ensinassem a temer a Deus, a minha alma teria se fortalecido contra a queda. Tendo perdido esse temor de Deus, ficou-me apenas o de perder a honra, o que, em tudo o que eu fazia, me trazia aflição. Pensando que não se teria como descobrir, atrevi-me a fazer coisas contra a honra e contra Deus.

Foram essas coisas que, em princípio, me fizeram mal, e creio que a culpa não devia ser dessa parenta, mas minha, visto que já bastava minha própria inclinação para o mal; havia na casa criadas, que em tudo me ajudavam em minhas vaidades; se alguma me tivesse dado bons conselhos, talvez não me entregava a pecados graves, porque não gostava, por natureza, de coisas desonestas, mas me dedicava a conversas desagradáveis – o que não impedia que eu estivesse em perigo, exposta a situações arriscadas, expondo a elas também meu pai e meus irmãos. De tudo isso Deus me livrou, e de um modo que mostrou com clareza estar Ele procurando, até contra a minha vontade, evitar que eu me perdesse por inteiro. Mas o meu proceder não permaneceu tão oculto a ponto de não lançar dúvidas contra a minha honra e criar suspeitas em meu pai. Eu estava envolvida nessas vaidades há uns três meses, quando me levaram a um mosteiro existente no lugar (Convento de Nossa Senhora da Graça), nele, criavam-se pessoas em condições semelhantes, embora não de costumes tão ruins quanto os meus; e isso de maneira tão discreta, que só eu e um parente o soubemos. Dessa maneira, esperaram uma ocasião adequada, que não parecesse estranha: foi o casamento da minha irmã (María de Cepeda), que me deixou só, o que não parecia próprio.

Era tão grande o amor de meu pai por mim, e tanta a minha dissimulação, que ele não acreditava que eu fosse tão má, razão por que não perdeu a confiança em mim. Como o período dessas minhas leviandades foi curto, embora alguma coisa tivesse diso percebida, nada se podia dizer com certeza; com o grande cuidado que eu tinha para que nada se soubesse, visto que temia tanto pela minha honra, eu não via que não podia ocultar algo de quem tudo vê. Ó Deus! Que mal faz o mundo de não se levar isso em conta e pensar que alguma coisa contra Vós possa ser secreta! Estou certa de que muitos males seriam evitados se soubéssemos que o importante não é nos ocultar dos homens, mas evitar descontentar a Vós.

Os primeiros oito dias foram dolorosos, e mais por eu temer que minha vaidade tivesse sido divulgada do que por estar ali. Na época, eu já estava cansada e passara a temer muito a Deus quando o ofendia, procurando confessar-me tão logo pudesse. Isso me causava tanto desassossego que, depois de oito dias no mosteiro, talvez antes, eu esta muito mais feliz que na casa de meu pai. Todas estavam satisfeitas comigo, pois o Senhor me concedeu a graça de agradar a todos onde que que eu estivesse, sendo assim muito querida. Naquele tempo, desgostava-me a idéia de tornar-me monja; apesar disso, eu apreciava ver as boas religiosas daquela casa, muito honestas, fervorosas e recatadas. E, no entanto, isso não impedia o demônio de me tentar nem as pessoas de fora de me desassossegar com recados. Como, porém, eu os desencorajasse, breve tudo teve fim. Minha alma reencontrou o bem de minha meninice, e vi o grande favor que Deus concede a quem põe em companhia dos bons. Crio que Ele buscava incessantemente a melhor maneira de me trazer a Si. Bendito sejais, Senhor, que tanto sofrestes por mim!Amén.

Havia algo que, não fossem tantas as minhas culpas, talvez pudesse me desculpar: minhas amizades podiam acabar bem, resultando em casamento. Meu confessor e outras pessoas que me aconselhavam diziam que muitas coisas que eu fazia não eram contrárias a Deus.

Em nosso dormitório de educandas dormia uma monja (María de Briceño) por meio da qual o Senhor quis, ao que parece, começar a iluminar-me.

Santa Teresa D'Ávila


Infância

Teresa de Cepeda e Ahumada nasceu na província de Ávila, Espanha, numa família da baixa nobreza. Seus pais chamavam-se Alonso Sánchez de Cepeda e Beatriz Dávila e Ahumada. Teresa refere-se a eles com muito carinho. Alonso teve três filhos de seu primeiro casamento. Beatriz deu-lhe outros nove.

Aos sete anos, gosta muito de ler histórias dos santos. Seu irmão Rodrigo tinha quase a sua idade, por isto costumavam brincar juntos. As duas crianças viviam pensando na eternidade, admiravam a coragem dos santos na conquista da glória eterna. Achavam que os mártires tinham alcançado a glória muito facilmente e decidiram partir para o país dos mouros com a esperança de morrer pela fé. Assim sendo, fugiram de casa, pedindo a Deus que lhes permitisse dar a vida por Cristo. Em Adaja encontraram um dos tios que os devolveu aos braços da aflita mãe. Quando esta os repreendeu, Rodrigo colocou toda a culpa na irmã. Com o fracasso de seus planos, Teresa e Rodrigo decidiram viver como ermitães na própria casa e construíram uma cela no jardim, sem nunca conseguir terminá-la. Desde então, Teresa amava a solidão.
Juventude

A mãe de Teresa faleceu quando esta tinha quatorze anos: "Quando me dei conta da perda que sofrera, comecei a entristecer-me. Então me dirigi a uma imagem de Nossa Senhora e supliquei com muitas lágrimas que me tomasse como sua filha". Quando completou quinze anos, o pai levou-a a estudar no Convento das Agostinianas de Ávila, para onde iam as jovens de sua classe social.

Um ano e meio mais tarde, Teresa adoeceu e seu pai a levou para casa. A jovem começou a pensar seriamente na vida religiosa que a atraia por um lado e a repugnava por outro. O que a ajudou na decisão foi a leitura das "Cartas" de São Jerônimo, cujo fervoroso realismo encontrou eco na alma de Teresa. A jovem comunica ao pai que desejava tornar-se religiosa, mas este pediu-lhe para esperar que ele morresse para ingressar no convento. Temendo fraquejar em seu propósito, a santa foi em segredo visitar a sua amiga Joana Juárez, que era religiosa no convento Carmelita da Encarnação, em Ávila, com a intenção de não voltar para casa.
Vida religiosa

Teresa ficou no convento da Encarnação. Tinha 20 anos. Seu pai, ao vê-la tão decidida, deixou de opor-se à sua vocação. Um ano depois fez a profissão dos votos. Pouco depois, piorou de uma enfermidade que começara a molestá-la antes de professar. Seu pai a retirou do convento. A irmã Joana Suárez acompanhou Teresa para ajudá-la. Os médicos, apesar de todos os tratamentos, deram-se por vencidos e a enfermidade, provavelmente impaludismo, se agravou. Teresa conseguiu suportar aquele sofrimento, graças a um livrinho que lhe fora dado de presente por seu tio Pedro: "O terceiro alfabeto espiritual", do Padre Francisco de Osuna. Teresa seguiu as instruções da pequena obra e começou a praticar a oração mental. Finalmente, após três anos, ela recuperou a saúde e retornou ao Carmelo.

Sua prudência, amabilidade e caridade conquistavam a todos. Segundo o costume dos conventos espanhóis da época, as religiosas podiam receber todos os visitantes que desejassem, a qualquer hora. Teresa passava grande parte de seu tempo conversando no locutório. Isto a levou a descuidar-se da oração mental. Vivia desculpando-se dizendo que suas enfermidades a impediam de meditar.

Pouco depois da morte de seu pai, o confessor de Teresa fê-la ver o perigo em que se achava sua alma e aconselhou-a a voltar à prática da oração. Desde então, a santa jamais a abandonou. No entanto, ainda não se decidira a entregar-se totalmente a Deus nem a renunciar totalmente às horas que passava no locutório trocando conversas e presentes com os visitantes. Curioso notar que, em todos estes anos de indecisão no serviço de Deus, Santa Teresa jamais se cansava de prestar atenção aos sermões, "por piores que fossem".

Cada vez mais convencida de sua indignidade, Teresa invocava com freqüência os grandes santos penitentes, Santo Agostinho e Santa Maria Madalena, aos quais estão associados dois fatos que foram decisivos na vida da santa. O primeiro foi a leitura das "Confissões" de Santo Agostinho. O segundo foi um chamamento à penitência que ela experimentou diante de um quadro da Paixão do Senhor: "Senti que Santa Maria Madalena vinha em meu socorro... e desde então muito progredi na vida espiritual". Sentia-se muito atraída pelas imagens de Cristo ensangüentado na agonia. Certa ocasião, ao deter-se sob um crucifixo muito ensangüentado, perguntou: "Senhor, quem vos colocou aí?" Pareceu-lhe ouvir uma voz: "Foram tuas conversas no parlatório que me puseram aqui, Teresa". Ela chorou muito e a partir de então não voltou a perder tempo com conversas inúteis e nas amizades que não a levavam à santidade.

As Carmelitas, como a maioria das religiosas, desde os princípios do século XVI, já haviam perdido o primeiro fervor. Já vimos que os locutórios dos conventos de Ávila eram uma espécie de centro de reunião para damas e cavalheiros de toda a cidade. As religiosas saíam da clausura pelo menor pretexto. Os conventos eram lugares ideais para quem desejava uma vida fácil e sem problemas. As comunidades eram muito numerosas. O Convento da Encarnação possuía 140 religiosas.
a fundação do convento de Burgos, que foi a última, as dificuldades não diminuiram. Em julho de 1582, quando o convento já ia com suas obras adiantadas, Santa Teresa tinha intenção de retornar a Ávila, mas viu-se forçada a mudar seus planos para ir a Alba de Tormes visitar a duquesa Maria Henríquez. A Beata Ana de São Bartolomeu afirmou que a viagem não estava bem programada e que a Santa estava tão fraca que desmaiou no caminho. Certa noite só puderam comer alguns figos. Chegando a Alba, Teresa teve que deitar-se imediatamente. Três dias depois, disse à Beata Ana de São Bartolomeu: "Finalmente, minha filha, chegou a hora de minha morte". O Pe. Antonio de Heredia ministrou-lhe os últimos sacramentos. Quando o mesmo padre levou-lhe o viático, a Santa conseguiu erguer-se do leito e exclamou: "Oh, Senhor, por fim chegou a hora de nos vermos face a face!" Ela morreu às 9 horas da noite de 4 de outubro de 1582. Exatamente no dia seguinte entrou em vigor a reforma gregoriana do calendário, que suprimiu dez dias, de modo que a festa da santa foi fixada, mais tarde, para o dia 15 de outubro. Foi sepultada em Alba de Tormes, onde repousam suas relíquias.

Teresa é uma das personalidades da mística católica de todos os tempos. Suas obras, especialmente as mais conhecidas (Livro da Vida, Caminho de Perfeição, Moradas e Fundações), contém uma doutrina que abraça toda a vida da alma, desde os primeiros passos até à intimidade com Deus no centro do Castelo Interior. Suas cartas no-la mostramabsorvida com os problemas mais triviais. Sua doutrina sobre a união da alma com Deus é bem firmada na trilha da espiritualidade carmelita, que ela tão notavelmente soube enriquecer e transmitir, não apenas a seus irmãos, filhos e filhas espirituais, mas à toda Igreja, à qual serviu fiel e generosamente. Ao morrer sua alegria foi poder afirmar: "Morro como filha da Igreja".

Foi canonizada em 1662. No dia 27 de setembro de 1970, o papa Paulo VI conferiu-lhe o título de Doutora da Igreja.

Santa Teresa de Ávila é considerada um dos maiores gênios que a humanidade já produziu. Mesmo ateus e livres-pensadores são obrigados a enaltecer sua viva e arguta inteligência, a força persuasiva de seus argumentos, seu estilo vivo e atraente e seu profundo bom senso. O grande Doutor da Igreja, Santo Afonso Maria de Ligório, a tinha em tão alta estima que a escolheu como patrona, e a ela consagrou-se como filho espiritual, enaltecendo-a em muitos de seus escritos

Sua festa é comemorada no dia 15 de outubro

A oração para mim é um trabalho difícil, como o de tirar água de um poço


Não consigo rezar sozinha – diz – Preciso buscar a memória do Criador nos campos, na água, ou nas flores. A oração para mim é um trabalho difícil, como o de tirar água de um poço. No começo consigo pegar apenas umas gotas que aliviam a secura da minha alma. Mas, aos poucos, o balde vai se enchendo, e cada vez tenho menos trabalho para regar estes campos espirirituais.
Finalmente, chega um momento em que esta água se transforma em chuva, e o Criador rega minha alma, sem nenhum trabalho de minha parte.

Sim, não está o amor de Deus em ter lágrimas em nestes gostos e ternura – que pela maior parte os desejamos e consolamos com eles – mas sim e servi-lO



Se assim é, Senhor, que tudo isto quereis passar por mim, que é isto o que eu passo por Vós? De que me queixo? Que já tenho vergonha de assim Vos ter visto e quero passar, Senhor, todos os trabalhos que me vierem e tê-los em grande bem para Vos imitar nalguma coisa. Andemos juntos, Senhor; por onde fordes tenho de ir; por onde passardes, tenho de passar.

Sim, não está o amor de Deus em ter lágrimas em nestes gostos e ternura – que pela maior parte os desejamos e consolamos com eles – mas sim e servi-lO com justiça e fortaleza de ânimo e humildade.

O que pretendo dar a entender é... que a obediência é o mais rápido ou o melhor meio que há para chegar a este tão ditoso estado (de não buscar a nossa vontade senão a de Deus). É que não podemos, de maneira nenhuma, assenhorear a nossa vontade para aplicá-la pura e simplesmente em Deus enquanto não a sujeitarmos à razão. A obediência é o verdadeiro caminho para a sujeitar. Não é com boas razões que isto se alcança, porquanto a natureza e o amor-próprio têm tantas que nunca chegaríamos ao fim; e, muitas vezes, o mais razoável, se bem que não é do nosso agrado, nos parece disparate pela pouca vontade que temos de fazê-lo.

Como dizia Santa Clara, grande muros são os da pobreza. Destes, dizia ela, e da humildade, quereria cercar os seus conventos; e, certo é que se isto se guarda de verdade... tudo o demais estará muito melhor fortalecido do que em sumptuosos edifícios.

Mereçamos nós todos amar-Vos, Senhor, já que se há-de viver, viva-se para Vós. Acabem-se já os nossos desejos e interesses: que maior coisa se pode ganha de que contentar-Vos?



Flores

Ponde sempre o pensamento no que perdura e das coisas de cá de baixo nenhum caso façais... que não é aqui o vosso reino e que bem depressa tudo terá fim.

Ó morte, morte! não sei quem te possa temer pois em ti está a Vida.

Quando eu vejo algumas muito diligentes em entender a oração que têm e muito encapotadas quando estão nela (que parece não ousam bulir nem menear o pensamento, para que não se lhes vá um pouquito do gosto e devoção que tiveram), faz-me ver quão pouco entendem do caminho por onde se alcança a união, e pensam que ali está todo o negócio.

Me parece que Deus ajuda aqueles que por Ele se atrevem a mito e nunca falta a quem nEle só confia.

Tenho para mim que a medida de se poder levar cruz grande ou pequena, é a do amor. Assim esforçai-vos a padecer o que Sua Majestade quiser.



Flores

E pois que Sua Majestade Se deleita contigo, que todas as coisas da terra não sejam bastantes para te apartar de te deleitares e alegrares na grandeza do teu Deus e em como merece ser amado.

Nestas fundações [de casas religiosas] não conto os sofrimentos das jornadas, o frio, o sol, a neve que em certas ocasiões não cessava o dia inteiro. Ora nós perdíamos nos caminhos, ora sobrevinham muitos achaques e febres, porque – Deus seja louvado! – habitualmente tenho pouca saúde. Sua Majestade dava forças e com o fervor que me incutia... dir-se-ia que me esquecia de mim mesma.

Torno a dizer que está tudo ou grande parte em perder o cuidado de nós mesmas e das nossas comodidades, pois, quem de verdade começa a servir ao Senhor, o menos que Lhe pode oferecer é a vida.

Se quando andava no mundo só tocar Suas vestes sarava os enfermos, como duvidar, se temos fé, que faça milagres estando dentro de mim, e que nos dará o que Lhe pedirmos, pois está em nossa casa? E não costuma Sua Majestade pagar mal a pousada, quando Lhe dão boa hospedagem.

O que eu tenho entendido é que todo este edifício da oração vai fundado em humildade e, quanto mais se baixa uma alma na oração, mais a levanta Deus.



Flores

São tantas as coisas que vejo e o que entendo das grandezas de Deus e como Ele as tem guiado que quase nenhuma vez começo a pensar nisto na oração que não me perca o entendimento, e fique fora de mim como quem vê coisas que vão muito além do que pode entender.

Só a humildade... compreende num momento o que em muito tempo, trabalhando a imaginação, não pudera alcançar acerca do muito nada que somos e do mui muito que é Deus.

Sou Vossa, pois me criastes.
Vossa, pois me redimistes,
Vossa, porque me sofrestes,
Vossa, porque me esperastes,
Vossa, pois não me perdi.

Suplicava ao Senhor que me ajudasse, mas, devia faltar - ao que agora me parece - o não pôr de todo a confiança em Sua Majestade nem perder de todo o que punha em mim. Buscava remédio, fazia diligências; mas não devia compreender que tudo aproveita pouco se, perdida totalmente a confiança em nós mesmos, não a pomos em Deus.

Aproveita-me também a mim ver o campo, água ou flores. Nestas coisas encontrava eu memória do Criador, digo que me despertavam e recolhiam e serviam de livro.



Nota biográfica

Santa Teresa de JesusRubens

Santa Teresa de Jesus nasceu em Ávila em 28 de Março de 1515. Seus pais gozavam de uma situação económica desafogada pela posse de terras e pelo comércio. Pelo lado paterno, descendia de judeus conversos. Apesar da oposição do pai, Santa Teresa ingressou no convento carmelita da Encarnação de Ávila em 1535, tomou o hábito no ano seguinte e professou em 1537. Pouco depois sofreu uma doença até 1542, ano em que se iniciou uma crise espiritual que durou até à quaresma de 1554. Deu-se então nela uma completa transformação, a partir da qual não cessa de avançar espiritualmente através de experiências místicas extraordinárias.

Em 1560 resolveu empreender a reforma da sua Ordem, no que, desde o início, deparou com uma forte oposição. A sua vida decorreu num contínuo aperfeiçoamento espiritual e numa actividade incansável de reformadora e fundadora de conventos, para o que teve de efectuar viagens constantes.

Santa Teresa de Jesus nasceu em Ávila, na Espanha. Mulher de grande inteligência e sabedoria,



Santa Teresa de Jesus nasceu em Ávila, na Espanha. Mulher de grande inteligência e sabedoria, foi proclamada Doutora da Igreja em 1970 pelo papa Paulo VI, como Mestra de espiritualidade.

Realizou uma grande reforma no Carmelo e fundou outros, inclusive dois de frades. Escreveu obras famosas e de grande valor espiritual como “Caminho de perfeição”, “Moradas ou Castelo Interior” e “Livro da vida”. Além de ser a autora do poema “Nada te perturbe”.

Confira um pouco de seu pensamento expresso em frases:



“Quem ama, faz sempre comunidade; não fica nunca sozinho”


“A amizade é a mais verdadeira realização da pessoa”


“Falais muito bem com outras pessoas, por que vos faltariam palavras para falar com Deus?”


“A amizade com Deus e a amizade com os outros é uma mesma coisa, não podemos separar uma da outra”


“Em tempos de tristeza e de inquietação, não abandones nem as boas obras de oração, nem a penitência a que estás habituada. Antes, intensifica-as. E verás com que prontidão o Senhor te sustentará”


“Quem não deixa de caminhar, mesmo que tarde, afinal chega. Para mim, perder o caminho é abandonar a Oração”


“O Senhor não olha tanto a grandeza das nossas obras. Olha mais o amor com que são feitas”


“O verdadeiro humilde sempre duvida das próprias virtudes e considera mais seguras as que vê no próximo”


“Humildade é a verdade”


“Espera um pouco, filha, e verás grandes coisas”


“Vocês pensam que Deus não fala porque não se ouve a Sua voz? Quando é o coração que reza Ele responde”


“O Senhor sempre dá oportunidade para oração quando a queremos ter”


“Falte-me tudo, Senhor meu, mas se vós não me desamparardes, não faltarei eu a vós”


“Quem vos ama de verdade, Bem meu, vai seguro por um amplo caminho real, longe do despenhadeiro, estrada na qual, ao primeiro tropeço, Vós, Senhor, dais a mão; não se perde, por alguma queda, nem mesmo por muitas, quem tiver amor a Vós, e não às coisas do mundo”


“Se tiver humildade, não tenha receio, o Senhor não permitirá que se engane nem engane os outros”


“Uma prova de que Deus esteja conosco não é o fato de que não venhamos a cair, mas que nos levantemos depois de cada queda”


“Se não dermos ouvidos ao Senhor quando Ele nos chama, pode acontecer que não consigamos encontrá-lo quando o quisermos”


“São felizes as vidas que se consumirem no serviço da Igreja”


“Basta uma graça dessas para transformar uma alma por inteiro”


“Não me parecia que eu conhecesse a minha alma, tão transformada eu a via”


“0 olhar de Deus é amar e conceder graças”


“Eu quero ver a Deus e para isso é necessário morrer. Não morro, mas entro na vida

Nada te perturbe, Nada te espante, Tudo passa,



Nada te perturbe,
Nada te espante,
Tudo passa,
Deus não muda,
A paciência tudo alcança;
Quem a Deus tem
Nada lhe falta:
Só Deus basta.

Eleva o pensamento,
Ao céu sobe,
Nada te perturbe.
A Jesus Cristo segue
Com peito grande
E, venha o que vier,
Nada te espante.
Vês a glória do mundo?
É glória vã;
Nada tem de estável,
Tudo passa.
Aspira às coisas celestes,
Que sempre duram;
Fiel e rico em promessas,
Deus não muda.
Ama-O como merece,
Bondade imensa;
Mas não há amor fino
Sem a paciência.
Confiança e fé viva
Mantenha a alma,
Que quem crê e espera
Tudo alcança.
Do inferno acossado
Muito embora se veja,
Burlará os seus furores
Quem a Deus tem.
Advenham-lhe desamparos,
Cruzes, desgraças;
Sendo Deus o seu tesouro,
Nada lhe falta.
Ide, pois, bens do mundo,
Ide, ditas vãs;
Ainda que tudo se perca,
Só Deus basta.”
[Santa Teresa d'Ávila]

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